Com plano de desinvestir R$ 10 bilhões, parte da carteira do BNDESPar já está à venda

Banco de fomento quer vender participação societária em companhias “maduras”

Por Gabriela Freire Valente - redação@lexisnexis.com.br
Divulgação/BNDES

Com uma carteira de ações avaliada em quase R$ 100 bilhões, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende vender cerca de R$ 10 bilhões em participações societárias ainda em 2018. Embora a cúpula da instituição não revele quais são as fatias que serão priorizadas no processo de desinvestimento, o braço de investimentos do banco, o BNDESPar, é detentor de fatias em companhias que sustentam tratativas para transações de peso no mercado brasileiro. Eletropaulo (18%), Embraer (5,3%), Eletrobras (18,7%), Light (9,39%) e Odebrecht Transport (10,6%) são algumas das integrantes da carteira de ativos societários do BNDESPar na mira de investidores com apetite para aquisições.

O objetivo de dar continuidade à política de venda de participações e chegar aos R$ 10 bilhões em desinvestimentos foi anunciada por Dyogo de Oliveira, ex-ministro do Planejamento e atual presidente do banco de fomento, no início do mês. A estratégia do banco é observar o comportamento do mercado para fechar esses negócios, que podem ser realizados por meio de processos competitivos.

Embora a conta do sucessor de Paulo Rabello de Castro não inclua os cerca de R$ 8 bilhões que devem entrar no caixa do BNDES com a venda da Fibria para a Suzano Papel e Celulose, a redução de sua participação na Petrobras foi contabilizada no balanço do primeiro trimestre de 2018. O banco reduziu sua fatia na estatal de 16,54% para R$ 15,98% e capitou R$ 831 milhões com a venda de fatias societárias nesse período.

O montante foi considerado fundamental para o lucro líquido de R$ 2,06 bilhões registrado pela instituição e deve dar subsídios para que o banco siga com a estratégia de fomentar investimentos em projetos de infraestrutura.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Eliane Lustosa, diretora da área de mercado de capitais do BNDES, afirmou que a venda de participação em ao menos três empresas é discutida pela cúpula do banco. Sem identificar quais são as companhias alvo, a executiva informou que se trata de empresas abertas e nas quais o BNDES acredita ter cumprido seu papel como fomentador.

A pista da diretora fortalece o palpite de analistas de mercado que apostam na venda da participação em companhias como Vale (7,6%) e Totvs (4%). As empresas estariam inclusas no rol de negócios considerados “maduros” pelos analistas do banco. JBS (21%) e Marfrig (33%) também poderiam ser inclusas na lista de desinvestimento, caso as companhias adotem melhorias de governança demandadas pelo BNDES.

A estratégia, que incluiu a venda da Fibria para a Suzano, estaria alinhada à mudança no direcionamento do banco, que deixou de injetar recursos em grandes companhias. A estimativa é que o BNDES tenha vendido cerca de R$ 20 bilhões em ações nos últimos três anos. Entre os últimos desinvestimentos do BNDES estão a venda de ações de Petrobras, Vale, CPFL, Braskem e Taesa (Cemig). A participação do banco em empresas como Iochpe, Renova Energia e Biomm também foi reduzida.

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