Privatizações pressionam empresas a fazerem IPOs o quanto antes

Falta de capital liquidez no próximo ano pode prejudicar aberturas de capital

Por Isabella Miranda - redação@lexisnexis.com.br
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O ano de 2019 começou com agitação no mercado, tanto para as empresas que queriam captar recursos, quanto para os novos projetos de ofertas públicas iniciais (IPO). Logo nos primeiros dias de janeiro, a bolsa de valores de São Paulo, a B3, bateu recordes em sua pontuação, chegando, em 2 de janeiro, a mais de 91 mil pontos. Segundo dados da própria bolsa, desde o início do ano, a pontuação não ficou, em nenhum momento, menor que 94 mil pontos. A alta prossegue paralelamente aos desenrolares do governo de Jair Bolsonaro (PSL) e a votação da reforma da previdência, que está próxima e pode afetar diretamente o mercado. Outras ações do governo, como seu discurso privatizador, estão delineando o ritmo das operações para os próximos anos. Com a iminente onda de privatizações, algumas empresas planejam aproveitar 2019 para captar recursos antes que os olhos dos investidores se voltem para as estatais.

Até o momento, empresas como JSL, Centauro e Banco Votorantim já estão com seus IPOs preparados engatilhados. O grupo de logística JSL informou que fez o pedido de registro da oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias de emissão da Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos, sua controlada. Já o Grupo SBF, dono da rede de lojas de artigos esportivos Centauro, vai tentar abrir o capital da empresa novamente, segundo informações da Exame. A empresa comunicou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedindo dois itens, um registro de companhia aberta e outro de autorização para promover seu IPO na bolsa. O Banco Votorantim é outro que estaria a caminho de abrir seu capital ainda em 2019, de acordo com informações da coluna Broadcast, do Estado de S. Paulo.

De cerca de vinte operações de empresas nacionais esperadas para 2018, somente sete se concretizaram ao longo do ano e quase a metade delas foram feitas no exterior. Na bolsa de valores de São Paulo, a B3, o Grupo NotreDame Intermédica, Grupo Hapvida e Banco Inter arrecadaram R$ 2,7 bilhões, R$ 3,3 bilhões e R$ 772 milhões, respectivamente, com IPOS realizados no mês de abril. O ano terminou na bolsa paulista com o IPO da BR Distribuidora arrecadou cerca de R$ 5 bilhões em sua oferta inicial de ações, maior valor para esse tipo de captação na B3 desde 2013. O restante das operações foram realizadas fora do país.

Segundo Fernando Kuyven, sócio do Modesto Carvalhosa Advogados, ouvido pelo Lexis360, o cenário de incertezas atravancou as transações em 2018. “Havia um represamento grande, já que muitas empresas interessadas em fazer IPO preferiram aguardar a definição política, e a estabilização do cenário econômico, que estava ruim. Houve a greve dos caminhoneiros, crises internacionais, e outros eventos que fizeram as pessoas represarem seus projetos. Agora vemos uma certa pressa para a concretização das operações.”

Para ele, mudanças como a reforma da previdência são essenciais para passar uma mensagem positiva aos investidores internacionais, e estabelecer o Brasil como uma potência no mercado de capitais. “Creio que [a reforma] passa uma imagem positiva de que o país está arrumando as contas, e que possui um mercado mais confiável, mais protegido contra crises. O que é muito importante para o investidor estrangeiro.” De acordo com o advogado, ao realizar ajustes fiscais, o país fica mais estável, propiciando ao governo liberdade para investir em outras áreas, como infraestrutura, por exemplo. “A da reforma da previdência é a chave para conseguirmos a liquidez presente no mercado estrangeiro. Muitas pessoas querem investir no Brasil há algum tempo, mas ainda não fizeram por receio acerca da instabilidade política e também pela insegurança jurídica.” Para o Kuyven, uma melhora nas contas públicas traria maior equilíbrio e segurança ao mercado, desenvolvendo-o.

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