Quatro escritórios de advocacia dos EUA preparam ação coletiva contra a Vale

Bancas investigam veracidade das informações e omissão de dados sobre a barragem de Brumadinho fornecidas pela companhia

Por Marina Hernanz* - redação@lexisnexis.com.br
Sobrevoo da área afetada pelo rompimento da barragem
Sobrevoo da área afetada pelo rompimento da barragem
Presidência da República/Divulgação

Quatro escritórios de advocacia norte-americanos anunciaram na segunda-feira (28) que estão preparando ações coletivas contra a Vale na Justiça dos Estados Unidos. Após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) na sexta-feira (25), as ações da companhia caíram e prejudicaram tanto investidores estrangeiros, quanto os brasileiros. No Brasil, fundos de pensão pretendiam vender sua participação na mineradora ainda esse ano perderam R$ 16 bilhões.

De acordo com informações do Estado de S. Paulo, os escritórios Rosen Law, The Schall, Wolf Popper e o Bronstein, Gewirtz & Grossman, todos especializados em má conduta corporativa, se preparam para agir em prol de investidores que tiveram prejuízos com a desvalorização da Vale. As bancas investigam se a mineradora emitiu informações de negócios materialmente falsas ao público ou se omitiu os riscos de rompimento da barragem, burlando as regras do mercado acionário dos EUA. Em 2015, a Vale foi alvo de dois processos semelhantes nos EUA, após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG). A Vale e a anglo-australiana BHP Billiton são sócias em uma joint venture que controla a Samarco. Cada companhia possui 50% de participação no negócio.

Os American Depositary Recipts (ADRs) da companhia, que são os recibos de ações negociados na New York Stock Exchange (NYSE), caíram 8% no dia do rompimento, sexta-feira (25), e 16% na tarde de segunda-feira (28), quando se tornou o papel mais negociado de toda a bolsa, com 84 milhões de transações até às 14h45.

No Brasil, a perda de valor da companhia afetou o patrimônio dos fundos de pensão que previam a venda de suas participações na mineradora nesse ano. De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a Litel, veículo de investimento de reúne Previ, Petros, Funcef e Funcesp, tem 22% da Vale e só na segunda-feira (28) perdeu R$ 16 bilhões com a queda das ações da companhia. A Previ foi o fundo que mais se prejudicou, uma vez que possui 80,6% da Litel e tem sua fatia na mineradora avaliada em mais de R$ 45 bilhões, metade da carteira de renda variável do fundo e mais de 25% do patrimônio total. Procurada, a Previ, disse não ter "qualquer urgência" em vender as ações. "Temos colchão de liquidez que nos dá conforto e permite aguardar o desenrolar dos fatos", informou ao Valor.

*Com supervisão de Gabriela Freire Valente.

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