Volume de empréstimos sindicalizados bateu recorde em 2018 e arrecadou US$ 27,8 bilhões

Especialistas e executivos projetam a mesma crescente para 2019

Por Marina Hernanz* - redação@lexisnexis.com.br

O volume total das operações de empréstimo sindicalizado, realizado por um grupo de bancos, bateu recorde do ano passado e alcançou US$ 27,8 bilhões, o que representa um crescimento de 115,5% em relação a 2017, segundo dados da Dealogic. No ano passado, foram 52 operações ante 134 de 2017, o montante foi impulsionado pelo financiamento de alguns deals, como a compra da Fibria pela Suzano, que teve empréstimo de US$ 9,2 bilhões. Um dos motivos para o aumento, foi a redução da alavancagem financeira das grandes empresas brasileiras no ano passado, o que ajudou a diminuir o custo desses empréstimos, explica Ernesto Meyer, responsável pela área de empréstimos do BNP Paribas, ao jornal Valor Econômico.

Só em janeiro, US$ 7,5 bilhões já foram somados em operações em andamento. Entre as empresas com transações em curso estão Petrobras, Klabin, Raízen, Vale, Iochpe e GTM. "Achamos que o volume de empréstimos neste ano pode superar em 30% o verificado no ano passado", afirma Claudio Pitchon, responsável pela área de corporate e banco de investimento do Banco Mizuho no Brasil. O Citi Brasil conta com quatro operações em andamento, no valor total de US$ 4 bilhões. No ano passado, o custo do hedge cambial estava mais barato, o que significa que esse tipo de transação está mais atrativo para as empresas que tem receita em dólar e bom risco de crédito. "Para as companhias com faturamento em reais, o mercado local se mostra mais competitivo", afirma diz Miguel Queen, corresponsável por corporate banking no Citi.

Tomar uma linha de “revolving credit facility” -- que funciona como uma espécie de cheque especial em que a companhia saca os recursos, se quiser, e conta com garantia dos bancos líderes do sindicato -- tem suas vantagens. Uma delas é que a empresa não precisa de uma grande posição de caixa, o que tem um custo alto para as companhias, se a empresa não usar os recursos, ela paga apenas um percentual da taxa contratada, normalmente 30%, diz Claudio Pitchon, responsável pela área de corporate e banco de investimento do Banco Mizuho no Brasil. Uma outra vantagem, a disponibilidade desse crédito pré-aprovado ajuda a melhorar o rating da empresa, se a linha estiver disponível por um prazo maior que 12 meses.

Para Pitchon, do Mizuho, as privatizações prometidas pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) devem impulsionar esse mercado. Uma das transações que podem ser financiadas por empréstimo sindicalizado é a compra da Transportadora Associada de Gás (TAG) da Petrobras.

*Com supervisão de Gabriela Freire Valente.

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