Novo CEO global da JBS prioriza listagem na bolsa de Nova York

Gilberto Tomazoni tem missão de fazer novas aquisições e resgatar reputação da empresa

Por Marina Hernanz* - redação@lexisnexis.com.br

O novo CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que a listagem das ações da companhia na bolsa de Nova York está “no topo das prioridades”. Desde o ano passado, ele atuava como executivo-chefe de operações. A declaração foi dada durante uma teleconferência com analistas. Tomazoni evitou estipular um prazo para a abertura de capital nos EUA, dizendo que ela acontecerá “no momento certo”. Para se preparar para uma boa oportunidade no mercado de capitais americano, o CEO ressaltou a contratação do novo diretor financeiro global da companhia (CFO, na sigla em inglês), Guilherme Cavalcanti, que assumirá em meados de janeiro, após a conclusão da fusão entre Fibria, da qual é o CFO atual, e Suzano. “Guilherme seguramente terá papel relevante e vai ajudar nesse processo [de listagem das ações nos EUA]”, disse Tomazoni.

De acordo com ele, uma mudança de pessoal para uma sede nos EUA acontecerá se for necessário em razão do IPO. Na apresentação, o executivo ressaltou que o IPO nos Estados Unidos permitirá uma “aceleração do nosso crescimento”. Em sua avaliação, a área de alimentos processados da JBS nos Estados Unidos apresenta as maiores oportunidades de crescimento, com possibilidades de aquisições. “Seguramente, é a maior oportunidade de todos os negócios que a gente tem”, afirmou o Tomazoni.

Aos poucos a JBS retoma o plano de Wesley Batista para desenvolver o negócio de alimentos processados nos EUA. Em 2017, a JBS USA comprou a Plumrose, para que ela seja tão forte nos EUA quanto a Seara é no Brasil. A operação custou US$ 230 milhões. No entanto a delação premiada dos irmãos Wesley e Joesley Batista na operação Lava Jato adiou esses planos. No início deste ano, a companhia contratou Tom Lopez, que estava na Kraft-Heinz, para comandar a Plumrose. Em declaração para o Valor, o CEO da JBS USA, André Nogueira, ressaltou que a contratação de Lopez indicava que o plano de crescimento da Plumrose está no forno. “Ele está muito acima do tamanho do nosso negócio hoje, mas foi contratado para crescer”, afirmou.

 

Além dos Estados Unidos, a gestão de Tomazoni terá como foco ampliar a estrutura de distribuição na Ásia. “É um mercado muito importante para nós”, afirmou o novo CEO, citando recentes acordos de exportação firmados para ampliar as exportações para a China. No início de novembro, a JBS assinou um memorando de entendimentos com o braço de alimentos frescos do Alibaba para exportar US$ 1,5 bilhão em carnes à China.

 

Com relação a possíveis novas aquisições, elas não devem alterar o compromisso da JBS com a “disciplina financeira”, disse Tomazoni. Desde maio do ano passado, com a delação dos Batista, a JBS foi levada a repactuar as dívidas com os bancos no Brasil, para conseguir quitá-las e reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) de 4,3 vezes em junho do ano passado para 3,4 vezes. A companhia já pagou US$ 4,3 bilhões em dívidas, o que permite uma economia anual de US$ 300 milhões em juros. Tomazoni também terá a missão de resgatar a reputação da companhia. “Tenho abordagem de tolerância zero para a questão de compliance e governança”, disse.

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