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Discurso antiprivatização de Bolsonaro provoca reação imediata no mercado

Candidato do PSL declarou que não pretende privatizar principais ativos da Eletrobras e da Petrobras

Por Paula Dume
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou ser contra a privatização de ativos no setor de geração de energia elétrica e que quer manter nas mãos do governo o “miolo” da Eletrobras e da Petrobras. As declarações foram feitas na noite de terça-feira (9) durante entrevista à TV Bandeirantes e provocaram uma reação imediata do mercado no dia seguinte. As ações da Eletrobras caíram 9% e as da Petrobras, 2,87%, na quarta-feira (10) - a tendência de queda se manteve na quinta-feira (11). 

O político disse que é possível falar sobre desestatização na área de distribuição de eletricidade, mas não na de geração. Em seu programa de governo, o candidato do PSL ressalta que os últimos governos causaram uma grave crise setorial e sucateamento da Eletrobras e subsidiárias. Segundo ele, o setor de energia precisa de um "choque liberal". No entanto, Bolsonaro não declara ser favorável à privatização da estatal elétrica.

Bolsonaro contou que o país tem aproximadamente 150 estatais e que aquelas que “dão prejuízo” serão vendidas de imediato, podendo até ser extintas. O presidenciável disse ainda estar preocupado com a venda dos ativos no segmento de energia elétrica para empresas chinesas, que têm realizado aquisições de diversas companhias elétricas do setor privado no país. “Quando você vai privatizar, você vai privatizar para qualquer capital do mundo? A China não está comprando no Brasil, ela está comprando o Brasil. Você vai deixar o Brasil na mão do chinês?”, disse Bolsonaro à Bandeirantes.

Quanto à Petrobras, Bolsonaro afirmou que seu “miolo” tem de ser conservado e lembrou que a estatal não tem recursos para explorar o pré-sal. “A Petrobras, o miolo dela tem que ser conservado. O refino dá para privatizar, mas mesmo privatizando algumas coisas tem que ver o modelo. A exploração você tem que abrir [...] Nós temos tecnologia, mas não temos recurso para explorar”, esclareceu. 

Gustavo Bebianno, presidente do PSL, disse à Reuters na quarta-feira (10) que o governo de Bolsonaro não tem intenções de privatizar a petroleira no curto prazo, mas não descarta também a possibilidade, após a realização de um processo de saneamento generalizado da companhia. Perguntado se após esse processo ser implantado o caminho estaria livre para uma privatização no médio prazo, Bebianno acenou de forma positiva, “mas muito mais para frente”.

Em entrevista à RecordTV, no dia 4, Bolsonaro já havia sinalizado ser contrário às privatizações do setor elétrico e de bancos estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O político contou que “botou na mesa” a questão para o economista Paulo Guedes.

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