De olho no mercado - de 8 a 12 de outubro

Coluna semanal mapeia os rumores sobre deals, no Brasil e no exterior

Por Marina Hernanz* e Paula Dume - redação@lexisnexis.com.br
Petrobras e governo devem retomar a venda da TAG,  avaliada em cerca de US$ 8 bilhões
Petrobras e governo devem retomar a venda da TAG, avaliada em cerca de US$ 8 bilhões
Stéferson Faria/Agência Petrobras

Acompanhe abaixo os rumores mais quentes de negócios que rolaram na semana de 8 a 12 de outubro:

 

08.10 

Volkswagen deve contratar quatro bancos para fazer IPO de divisão de caminhões
Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, a Volkswagen deve contratar os bancos de investimento Citigroup, Deutsche Bank, Goldman Sachs e JP Morgan para ajudá-la na listagem de ações da sua divisão de caminhões, a Traton. A Volkswagen disse em setembro que a unidade deveria estar pronta para uma potencial cotação de ações em meados de 2019. Procurados, Volkswagen, JP Morgan, Deutsche Bank e Goldman Sachs se recusaram a comentar o assunto. O Citi não respondeu à agência. 

CBS vai procurar compradores para sua operação, após escândalo com ex-CEO 
A CBS, uma das maiores emissoras dos Estados Unidos, vai buscar potenciais compradores para sua operação, após a investigação de seu ex-CEO Leslie Moonves ter chegado ao fim, disse o jornalista da Fox Business Network, Charles Gasparino, em sua página no Twitter. Moonves, que deixou o cargo no mês passado após ser acusado de assédio sexual, se opôs aos esforços da controladora Shari Redstone e do seu pai, Sumner Redstone, para realizar a fusão da CBS com a Viacom, outra de suas empresas. Gasparino também escreveu que o CEO interino da CBS, Joe Ianniello, é cotado para ocupar o cargo de Moonves na empresa. Procurada, a CBS se recusou a comentar o caso.

 

09.10

Blackstone cria empresa para investir em energia renovável no Oriente Médio e África
O Blackstone está lançando a empresa Zarou para investir em ativos de energia renovável no Oriente Médio e na África Setentrional, segundo fontes consultadas pelo Financial Times. A nova empresa independente, cujo nome se refere a uma antiga ponte no rio Nilo construída para ligar Ásia e África, pretende aproveitar a demanda crescente por eletricidade na região. Segundo as fontes, o valor das transações deve chegar a bilhões de dólares. Sameh Shenouda, ex-chefe de investimentos em renda variável na área de infraestrutura no CDC Group, vai liderar a Zarou. O Blackstone, por meio da Zarou, estima ficar com os ativos que comprar por cerca de cinco anos, mas também poderá mantê-los por mais tempo. O projeto será supervisionado ainda por Mustafa Siddiqui, diretor sênior de gestão do Blackstone em Londres.

Grupo chinês HNA coloca à venda ativos imobiliários por cerca de US$ 11 bilhões 
O conglomerado chinês HNA Group colocou no mercado ativos imobiliários por pelo menos US$ 11 bilhões, segundo documentos consultados pela Reuters. Dois conjuntos de documentos analisados pela agência listam mais de 80 ativos que o HNA colocou à venda ou pretende vender, incluindo hotéis, prédios comerciais e residenciais. Eles se concentram principalmente na China – a maior parte na Ilha de Hainan, onde o HNA tem sede. Os documentos foram enviados para potenciais investidores em agosto. Desde janeiro, o HNA vendeu ou concordou em vender mais de US$ 20 bilhões em ativos, incluindo imóveis em Sydney, Nova York e Hong Kong, segundo cálculos da agência e de outros veículos.

 

10.10

Petrobras vai utilizar dispositivo da Lei do Petróleo para retomar venda da TAG
A Petrobras e o governo estão tentando destravar ainda neste ano a venda de alguns ativos da estatal, como a da Transportadora Associada de Gás (TAG), avaliada em cerca de US$ 8 bilhões, segundo apurou o Valor Econômico. Eles pretendem utilizar um dispositivo da Lei 9.478/1997, conhecida como Lei do Petróleo, para retomar a negociação mesmo sem ter uma decisão sobre uma liminar concedida em julho pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que proibiu a alienação de controle de estatais sem o aval do legislativo. Além da venda da TAG, a Petrobras suspendeu também as negociações dos polos de refino do sul e do nordeste, e da fábrica de fertilizantes de Araucária, no Paraná. O governo deve solicitar um parecer à Advocacia-Geral da União (AGU) para comprovar que o artigo 64 da Lei do Petróleo já estabelece a autorização para a venda das subsidiárias. Se confirmado, a Petrobras poderá retomar a venda da TAG, peça fundamental para que a estatal alcance em parte sua meta de desinvestimentos do biênio 2017-2018, no valor de US$ 21 bilhões. 

Grupo Scheffer está em negociações para vender participação minoritária de seu capital
O Grupo Scheffer, controlado por um ramo da família do ministro Blairo Maggi e do megaprodutor Eraí Maggi Scheffer, está negociando a venda de uma participação minoritária de seu capital, segundo informações do Valor Econômico. Com sede em Sapezal, no oeste de Mato Grosso, a empresa é considerada uma grande produtora de grãos e está avaliada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. O jornal afirma que a companhia contratou o Rabobank e o Itaú para assessorá-la na negociação. Pelo menos três fundos estrangeiros estão interessados no ativo, dois deles canadenses. Procurados, o grupo e os bancos preferiram não comentar o assunto. As fontes garantiram ao Valor que, apesar de ter passado por problemas de capital de giro em 2016, não há qualquer sinal de problemas financeiros mais sérios no grupo e que sua intenção é atrair um investidor para acelerar sua expansão.

Bayer pode vender sua unidade de saúde animal
A alemã Bayer planeja vender sua unidade de saúde animal, de acordo com informações da Bloomberg. O movimento acontece em consonância com a avaliação de suas participações, após a aquisição da Monsanto por US$ 62 bilhões. A agência ressalta que a venda não é iminente e que a gigante farmacêutica ainda não tomou uma decisão final, podendo manter a divisão. A Bloomberg observou que a Bayer poderia embolsar até US$ 8 bilhões com a venda do negócio.

 

11.10

Neoenergia deve retomar seus planos de IPO após definição do cenário eleitoral
Controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, a Neoenergia espera os resultados das eleições para retomar os planos de abrir seu capital, de acordo com duas fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo. A empresa já contratou bancos de investimento para realizar a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e pretende negociar pelo menos uma fatia de 25% de suas ações na bolsa. A Previ também pretende reduzir sua participação na elétrica, vendendo parte de seus 38,2%, mas permaneceria como acionista da empresa. O Iberdrola não tem interesse em se desfazer de sua fatia acionária na companhia, e o Banco do Brasil, que detém 9,3% da companhia, deve sair do negócio. Segundo pessoas familiarizadas, a companhia já está preparada para o processo de IPO. A Neoenergia precisa definir a participação de membros independentes no conselho da empresa e qual será seu novo diretor financeiro. Sandro Marcondes deixou a companhia em julho, porque foi contratado pelo Santander e, desde então, o cargo está vago. A expectativa do mercado é de que a transação aconteça até dezembro, após o segundo turno eleitoral. Fontes próximas à elétrica acreditam que, se o ambiente não estiver favorável, dependendo dos resultados eleitorais, o processo pode ficar para o ano que vem. Procurados pelo Estadão, BB e Previ não comentaram o assunto. A Neoenergia afirmou que não comenta sobre o caso e que essa é uma decisão dos acionistas.

Chinesa SPIC deve apresentar proposta vinculante por hidrelétrica Santo Antonio 
A companhia elétrica chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) apresentará nas próximas semanas uma proposta vinculante para adquirir as participações acionárias de Odebrecht, Cemig e Andrade Gutierrez na hidrelétrica Santo Antonio Energia, localizada no rio Madeira, em Rondônia, segundo fontes consultadas pelo Valor Econômico. Uma das fontes disse que a oferta da chinesa deve avaliar a usina em aproximadamente R$ 3,5 bilhões, valor que reflete a atual condição financeira da empresa. Como Furnas, que detém uma fatia de 41%, não deve se desfazer de suas ações, o desembolso para os demais sócios seria de pouco mais de R$ 2 bilhões, segundo o jornal. A chinesa deve investir, no mínimo, R$ 1 bilhão na hidrelétrica após a aquisição, e vai renegociar a dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No fim de junho, a Santo Antonio acumulava R$ 14,9 bilhões em dívidas. A expectativa é de que, com uma oferta vinculante apresentada, o BNDES aprove um acordo para suspender o pagamento da dívida até a aquisição ser concluída. Sem uma proposta, resta à usina concluir a renegociação da dívida com o banco. Procuradas, Odebrecht, Cemig e SPIC não responderam ao Valor.

Rodovia de Integração do Sul está na mira de seis grupos 
CCR, Ecorodovias, Arteris e o fundo de investimentos Pátria estão interessados no pregão da Rodovia de Integração do Sul (RIS), um lote que compreende 473,4 quilômetros e cruza 32 municípios do estado do Rio Grande do Sul, segundo informações do Valor Econômico. O pregão está agendado para 1º de novembro, na B3, em São Paulo. Além desses quatro grandes grupos, uma construtora de porte médio da região sul, cujo nome não foi revelado pelo jornal, estuda o ativo “em profundidade”. A Triunfo Participações e Investimentos (TPI), que está em recuperação extrajudicial e foi concessionária de um trecho desse lote até julho, também está interessada na rodovia. Uma fonte ouvida pelo jornal disse que, apesar da situação financeira da Triunfo, a empresa conhece o ativo tanto operacional quanto financeiramente, o que faria valer sua entrada. Durante os 30 anos de concessão, a rodovia vai demandar recursos totais estimados em R$ 13,4 bilhões. Desse total, uma fatia de R$ 7,8 bilhões será direcionada para investimentos, sendo que 30% desse valor deverá ser desembolsado até 2022, especialmente em recuperação do sistema viário e ampliação da capacidade do ativo. Os outros R$ 5,6 bilhões se referem aos custos operacionais durante a concessão. O vencedor do certame terá de dar o maior desconto sobre o valor do pedágio fixado em R$ 7,24. As ofertas devem ser entregues em 30 de outubro na bolsa paulista.

EMS permanece na disputa pela Medis, divisão de genéricos da israelense Teva
A farmacêutica brasileira EMS, que pertence ao grupo NC, está disputando a Medis, unidade de genéricos da israelense Teva, com sede na Islândia, segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico. A EMS está em busca de ativos no exterior para dar escala à sua operação internacional, conforme o jornal. A Bloomberg informou há cerca de um mês que, além da EMS, a farmacêutica sueca Recipharm e fundos de private equity cobiçavam o ativo, em um negócio que poderá movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. Procurada, a companhia brasileira disse que não comenta rumores de mercado. Considerada a maior fabricante de genéricos no mundo, a Teva informou em agosto do ano passado que procurava um comprador para a Medis. A estratégia de venda de ativos é para redução da dívida da companhia israelense. A Medis desenvolve genéricos para outras companhias e conta com operações e fábricas na Islândia, na Alemanha, na França, na Espanha, na Itália, na Polônia, no Brasil e na Austrália. De acordo com a Bloomberg, a expectativa é de que uma potencial transação seja fechada ainda neste ano.

*Com supervisão de Flávia Tavares e Paula Dume 

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