Disney notifica Cade da compra da Fox

No Brasil, questão é destino dos canais esportivos ESPN e Fox Sports

Por Flávia Tavares - redação@lexisnexis.com.br
Impedimento ou lance legal? Nos EUA, Departamento de Justiça já autorizou a compra
Impedimento ou lance legal? Nos EUA, Departamento de Justiça já autorizou a compra
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Foi publicada no Diário Oficial da União (DoU) desta quinta-feira (26) a notificação feita ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da proposta de aquisição pela The Walt Disney Company da Twenty-First Century Fox. No documento, a The Walt Disney Company (Brasil) Ltda. argumenta que a compra “não reduzirá a concorrência no setor, não criará ou reforçará posição dominante e nem acarretará a criação de monopólio no Brasil ou no exterior”.

A operação, anunciada em dezembro de 2017, ainda tem de vencer algumas contendas, financeiras e regulatórias, lá fora para ser concluída. Por aqui, a grande dúvida fica por conta do portfólio de canais esportivos. A Disney é dona dos canais ESPN nos Estados Unidos e no mundo desde 1996. A compra do grupo Fox inclui os canais Fox Sports também em vários países, incluindo o Brasil. Não há sinais claros do que os executivos pretendem fazer com os canais e como as sinergias da união serão usadas.

O desenrolar do negócio entre Disney e Fox já seria complexo pelas cifras envolvidas. Há ainda o complicador de players transatlânticos gigantescos, ousados e em uma guerra voraz por audiência. Compreender essa disputa passa por recapitular os lances feitos em cada momento da briga pelos ativos da Fox e da Sky Plc, operadora de TV a cabo britânica.

A Fox no meio

A primeira proposta apresentada pela Disney para comprar a Fox, em 14 de dezembro de 2017, foi de US$ 52,4 bilhões – hoje está em US$ 71,3 bilhões. A compra engloba estúdios de cinema e TV da Fox, FX Networks, National Geographic Partners, além de títulos de blockbusters e franquias como Avatar, X-Men e Deadpool e hits como Os Simpsons. A Disney se propôs a comprar também as empresas com as quais a Fox vinha negociando nos Estados Unidos e na Europa. Uma delas é a britânica Sky Plc.

Um ano antes de a Disney demonstrar interesse pela Fox, uma proposta de US$ 14,8 bilhões havia sido feita pela empresa de Rupert Murdoch pela operadora de TV a cabo britânica. Em fevereiro deste ano, a Comcast atravessou as negociações. A empresa de mídia da Filadélfia ofereceu US$ 31 bilhões pela Sky. Dois meses depois, a direção da Sky recomendou a seus acionistas que aceitassem a proposta da Comcast – o que levou a gigante a se animar e aumentar sua ambição. Em junho, a Comcast anunciou que ofereceria US$ 65 bilhões pelos ativos que a Fox concordara em vender para a Disney.

Audiência com pipoca

A Fox se viu disputada por dois conglomerados titânicos. Em parte, por conta de seu próprio patrimônio. Mas muito pela concorrência. Se querem competir com a Netflix e seu poder de investimento, Comcast e Disney precisam dos ativos da Fox para enriquecer seus próprios serviços de streaming. A Fox tem 30% da plataforma de streaming Hulu, única real concorrente da Netflix. Disney e Comcast têm outros 30% cada um. Quem levar a Fox ganha, automaticamente, a fatia majoritária da Hulu. Por sua vez, quem comprar a Sky Plc conquista, em uma tacada, 23 milhões de clientes em cinco países da Europa e os direitos de transmissão da Premier League.

Três dias depois de a Comcast anunciar sua proposta pela Fox, a Disney reagiu, aumentando a sua para os US$ 71,3 bilhões atuais. No dia 27 de junho deste ano, o Departamento de Justiça americano e sua área de regulação antitruste aprovaram o negócio entre Disney e Fox com a seguinte condição: a Disney tem de vender os 22 canais esportivos locais da Fox. Semanas antes, a Autoridade de Concorrência de Mercados (CMA, na sigla em inglês) do Reino Unido aprovara a venda da Sky para a Fox, desde que seu canal de notícias Sky News fosse vendido para outro comprador (no caso, a Disney). A Comcast também recebeu o aval das autoridades britânicas para permanecer na disputa pela Sky Plc. Com o revés no Departamento de Justiça americano e a vitória na Europa, a Comcast elevou sua proposta pela Sky para US$ 34 bilhões, renunciando oficialmente a tentar comprar a Fox.

A desistência da Comcast passa também pelo fato de que ela alimentava uma esperança na reprovação do negócio entre Fox e Disney, baseada nas dificuldades que um outro deal monumental vinha enfrentando: a tentativa da AT&T de comprar a Time Warner havia sido barrada pelo Departamento de Justiça. Quando, em junho deste ano, o juiz federal Richard Leon autorizou a fusão de US$ 85 bilhões, a compra da Fox pela Disney ganhou um novo fôlego e a Comcast decidiu se retirar dessa ponta da briga. Com isso, a Disney e a Fox se viram livres para seguir com os procedimentos da aquisição – inclusive notificando os órgãos reguladores dos países onde atuam. No Cade, a Twenty-First Century foi representada pelo Grinberg Cordovil Advogados e a The Disney Company (Brasil) Ltda. pelo Levy & Salomão. O órgão tem 240 dias, prorrogáveis por 90, para julgar o caso.

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