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Mês que antecede eleições registra queda de quase 50% no volume de transações de M&A

Mercado acredita em retomada quando cenário político se estabilizar

Por Paula Dume
Operação entre Suzano e Fibria foi o destaque do primeiro semestre
Operação entre Suzano e Fibria foi o destaque do primeiro semestre
Shutterstock.com

Levantamento da Transactional Track Record (TTR) revela uma baixa importante no número de operações de fusão e aquisição no país no mês que antecede as eleições. O índice, baseado em dados extraídos até 27 de setembro, teve uma queda de 44,78% no mês, comparado ao mesmo período do ano passado. No total, foram 74 transações, sendo 52 de M&A, 16 de venture capital e 6 de private equity. Desse total, 41 já foram concluídas e 33 estão em curso.

Os dados contrastam com o vigor do mercado no primeiro semestre, quando as expectativas em torno da retomada econômica do país acabaram acelerando o andamento de algumas transações, segundo especialistas consultados pelo Lexis 360. Conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) neste mês, de janeiro a junho, foram realizadas 43 operações, que movimentaram R$ 84 bilhões. O valor total é o maior para o período desde 2010. Naquele ano, 75 operações giraram R$ 91,7 bilhões. No entanto, o número de transações registrado na primeira metade do ano é inferior ao dos anos anteriores, ressalta Dimas Megna, coordenador do subcomitê de fusões e aquisições da Anbima.  

“Quando a gente olha o número de transações, ele acaba sendo inferior ao dos anos anteriores. Mas, ainda assim, o primeiro semestre foi bastante ativo”, esclarece o executivo. Dentre os principais deals realizados no primeiro semestre, a aquisição da Fibria pela Suzano Papel e Celulose foi o maior dos últimos dez anos, movimentando R$ 47,7 bilhões. Em 2008, a operação entre Itaú e Unibanco movimentou R$ 106,9 bilhões.

Megna reconhece que as incertezas políticas têm moderado o apetite de alguns investidores, que aguardam uma previsibilidade maior do cenário pós-eleições para tomar decisões. Apesar disso, ele acredita que o volume de transações de 2018 deve atingir patamares elevados. “Chegamos a essa conclusão pelo volume que tivemos no primeiro semestre mais as transações subsequentes já anunciadas e que deverão fazer com que o volume deste ano atinja patamares históricos”, disse o coordenador da Anbima. Na opinião dele, o ritmo de operações será retomado tão logo haja uma clareza com relação ao rumo econômico do país.

Rodrigo Delboni, sócio-diretor do Lobo de Rizzo, afirma que o escritório não notou um recuo grande no número de transações neste ano. “Estamos bem ocupados, e eu acho que até mais do que no ano passado. O que mudou foi o perfil das operações. Houve uma recuperação das transações mais prospectivas, que visam o crescimento da economia”, avaliou.

No Trench Rossi Watanabe, Lara Schwartzmann, sócia das áreas de M&A e de mercado de capitais, tem sentido o mercado mais aquecido do lado dos players brasileiros do que dos estrangeiros. A advogada observa ainda que o mercado continua movimentado para os investidores estrangeiros estratégicos que vislumbram investimentos a longo prazo, porque os ativos nacionais estão baratos.

Para os próximos meses, ela acredita que as operações de compra e venda de companhias “que têm fundamento” e com ativos de qualidade continuarão sendo negociadas no curso normal. “Agora, players que estão em dúvida entre realizar ou não uma aquisição ou fusão, vão continuar em dúvida e vão esperar um cenário um pouco mais estável para realizar negócios”, comentou.

Movimentações no Cade

Os setores de energia, saúde e agronegócios concentraram o maior número de operações notificadas e aprovadas sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no mês de setembro. Dentre as transações que receberam aval da autoridade antitruste, destacam-se as aquisições do controle da Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) e da Companhia de Eletricidade do Acre, ambas distribuidoras da Eletrobras, pela Energisa, e a aquisição do controle das empresas Samed, Hospital Santana e Laboratório Bonelli pela NotreDame Intermédica.

Ainda no segmento de saúde, a Rede D’Or São Luiz e a GGSH Participações notificaram ao órgão antitruste uma operação realizada em 2016. À época, as empresas concretizaram a transação antes de notificá-la à autarquia, o que configura a prática de gun jumping. Com a operação, a Rede D'Or passou a deter 21,3% da GGSH.

O procedimento administrativo de apuração de ato de concentração (Apac) foi homologado em 8 de agosto deste ano durante a 127ª sessão de julgamento da autarquia. Na ocasião, o plenário reconheceu a ocorrência da infração prevista no artigo 88 da Lei nº 12.529/2011 e homologou a proposta do Acordo em Controle de Concentração (ACC), de acordo com o voto de Cristiane Alkmin Schmidt, conselheira relatora do caso. A multa estipulada para a Rede D'Or e a GGSH foi de R$ 700 mil.

Duas operações muito aguardadas no setor de transporte e custódia de valores foram liberadas pela Superintendência-Geral (SG). O órgão antitruste aprovou a compra da brasileira Transfederal Transporte de Valores, que pertence ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), pelo grupo espanhol Prosegur. A SG também deu aval para que a Brink's adquira 100% das ações das empresas Rodoban Segurança e Transporte de Valores Ltda., Rodoban Serviços e Sistemas de Segurança Ltda. e Rodoban Transportes Terrestres e Aéreos Ltda.

IPOs no país e no mundo

Um pelotão considerável de empresas está se preparando para abrir capital assim que o cenário eleitoral for definido. Segundo informações do jornal Valor Econômico, se todas as empresas brasileiras que estão contratando assessores financeiros e jurídicos para coordenarem suas ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) e follow-ons (ofertas subsequentes) concretizarem suas intenções após as eleições, o mercado seria invadido por cerca de 20 ofertas entre o fim deste ano e o próximo. Uma pesquisa com bancos de investimento, escritórios de advocacia e empresas feita pelo jornal apurou que esse número representa um volume de aproximadamente R$ 25 bilhões.

O banco BMG, as empresas de tecnologia e serviços Tivit, Movile e Neoway (que prepara dupla listagem na B3 e Nasdaq), as companhias elétricas Neoenergia, Equatorial Energia e Light, entre outras, são algumas das empresas na lista de IPOs e follow-ons previstos para essa leva. Duas fontes ouvidas pelo Valor também incluíram o grupo de infraestrutura Invepar na lista.

O banco digital Agibank, que estava nesse balaio de ofertas, declarou na terça-feira (25) que apresentou a desistência do pedido de registro de sua oferta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A operação envolvia uma oferta primária e secundária de ações. Na contramão das desistências, a Arco Educação, empresa brasileira de software educacional, estreou com êxito na Nasdaq na quarta-feira (26). O valor de mercado da empresa subiu 34%, ou seja, para US$ 1,18 bilhão.

Se por aqui, há uma projeção de IPOs, do outro lado do mundo, há uma consolidação. Neste ano, as companhias chinesas movimentaram US$ 27,5 bilhões por meio de ofertas em Hong Kong e seguem confiantes para bater o recorde anual anterior, alcançado em 2007, de acordo com informações da Dow Jones Newswires.  

A oferta da plataforma chinesa de compras Meituan Dianping é uma das mais recentes grandes operações em solo chinês. A ação da empresa teve um aumento de 5,3% em sua estreia, na semana passada, após a companhia ser avaliada em US$ 51 bilhões e prospectar US$ 4,2 bilhões.

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