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Veirano Advogados: DNA internacional é sua marca

Escritório full-service completa 45 anos com o desejo de ser um dos melhores do país

Por Gabriela Freire Valente
Escritório espera crescimento nas operações de M&A no Brasil
Escritório espera crescimento nas operações de M&A no Brasil
Divulgação/Veirano Advogados

Uma forte inserção internacional, um divórcio institucional e a ambição de construir um legado. Essas são as características que marcam os 45 anos de atividades do Veirano Advogados. Criado como uma filial do Baker McKenzie no Brasil, o rompimento com os antigos parceiros americanos ficou no passado. Aos 77 anos, Ronaldo Veirano, sócio fundador da banca, espera que o escritório siga os seus passos e exclua a palavra aposentadoria de seus planos. “A nossa preocupação é ter algo que seja perene, que seja sustentável e possa continuar depois de que os sócios que fundaram o escritório tenham se afastado”, conta. 

Embora já não controle mais a sociedade que fundou, Ronaldo Veirano segue engajado em questões estratégicas. O veterano da casa se define como um “eterno otimista” e se orgulha de ver o escritório reconhecido como um concorrente sério e ético no mercado jurídico. “Nós não temos nenhuma ambição de ser o maior escritório do Brasil, mas queremos ser um dos melhores”, conta. 

O fundador do Veirano Advogados ri quando se relembra as preocupações do passado e seus olhos brilham quando ele cita os projetos sociais em que o escritório está envolvido, como o Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart). “É espetacular. Você vê os garotos ambiciosos, talentosos e que estão tendo uma oportunidade de estudar e melhorar na vida. Você poder participar desse processo é fantástico”, relata. 

Ronaldo Veirano acredita que, se cada um fizer sua parte, é possível fazer transformações positivas na sociedade e defende que os escritórios brasileiros se unam para fazer frente à concorrência estrangeira. “Não para impor barreiras, mas para preparar melhor os profissionais daqui e fazer um lobby forte”, argumenta. 

 

M&A no Veirano

Dos 55 sócios do Veirano Advogados, 19 se dedicam às operações de M&A ao lado de outros 43 advogados associados. A área é um dos principais campos de atuação do escritório desde a sua fundação e há perspectivas de expansão. Em 2016, a banca saltou da 11ª posição para a 2ª no ranking da Transactional Track Record (TTR) que considera o valor total das operações de M&A conduzidas pelos escritórios.

Ronaldo Veirano observa que, apesar da recessão, o volume de deals é satisfatório e espera um número ainda maior à medida que ajustes econômicos forem feitos. Os investidores estrangeiros têm liderado os investimentos em ativos no país, mas ele acredita que a movimentação doméstica será retomada à medida que os empresários brasileiros retomarem a confiança no cenário nacional. 

A cartela de clientes do Veirano Advogados é formada predominantemente por estrangeiros, mas a banca tem buscado cada vez mais se aproximar do empresariado brasileiro. “Temos entre 60% e 65% de clientes estrangeiros. A gente fez um esforço muito grande para aumentar a quantidade de brasileiros porque achamos que um equilíbrio é bom para o escritório e esse esforço continua”, conta o sócio fundador. 

 

Cases emblemáticos

Com os anos de vínculo com o Baker McKenzie — o “divórcio” aconteceu em 1996 —, o Veirano Advogados se viu em vantagem para prospectar clientes estrangeiros, em especial americanos. A consolidação no mercado brasileiro, porém, demandou mais suor. “Levamos 10 ou 15 anos para ter uma cartela de clientes de peso brasileira. Os grandes grupos brasileiros, principalmente os localizados em São Paulo, são grupos mais conservadores e já tinham seus próprios fornecedores de serviços jurídicos”, recorda Ronaldo Veirano. 

Um dos casos grandes que ajudou a consolidar o escritório no mercado nacional foi a participação no processo de construção do gasoduto Brasil-Bolívia, em 1997. “Nós estávamos recém separados do Baker McKenzie, recebemos um convite da Petrobrás para apresentar uma proposta”, conta o sócio fundador. 

Para se destacar da concorrência e conquistar o projeto, o escritório decidiu fingir que já tinha ganho a disputa e apresentou uma equipe de 12 advogados com planos claros para o caso. “No dia combinado, eu disse que precisava de uma sala grande porque ia com 12 pessoas. Eles acharam um absurdo”, lembra Ronaldo Veirano. “Depois, um dos advogados, se não me engano, da BHP [Broken Hill Proprietary Company], nos disse que ganhamos o projeto por causa disso. Causou um impacto muito bom e eles viram com quem eles iam trabalhar”.

O fundador define o caso como uma “briga de cachorro grande” que envolveu companhias como a Petrobrás, a gigante petrolífera Shell, e um consórcio formado por BHP (Austrália), El Paso (EUA) e British Gas (Inglaterra). “Foram muitos desafios. Havia desafios ambientais, de toda a sorte e foram muitas negociações de direito de passagem”, recorda. 

Deal de grande porte também recheiam o portfólio de M&A do Veirano Advogados. Entre as recentes transações está a compra da companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) pelos chineses da State Grid International Development, uma transação avaliada em R$ 17 bilhões.

 

Diplomacia

Com a carreira marcada pelos laços com companhias e representações estrangeiras, Ronaldo Veirano observa que os advogados que viabilizam transações internacionais precisam ter qualidades de diplomata.  “Ajuda muito entender a cultura do país”, ressalta. “Nessa área, você tem que ter o conhecimento do direito, tem que ser bom de relações pessoais e tem que ter um certo jogo de cintura”. 

Essas características estão presentes entre a “garotada” do Veirano Advogados, como o fundador se refere aos sócios da banca, cujas idades rondam os 40 anos. “À medida que eles vão se tornando mais experientes, eles vão ficando bastante flexíveis e com bons resultados”, elogia. 

Sem planos de se aposentar, Ronaldo Veirano também ressalta os princípios diplomacia na administração da banca. “Nós somos, sem falsa modéstia, o escritório mais democrático e transparente que eu conheço”, avalia. 

Apesar de ser ativo na prospecção de clientes, no planejamento de novas áreas de atuação e na delicada tarefa de solucionar impasses, ele salienta que o escritório não tem dono. “Eu fundei, meu filho trabalha aqui, mas nem eu nem ele controlamos a sociedade”, explica. “O voto dele e o meu contam tanto quanto o último sócio a ser feito nessa sociedade e a gente procura ser o mais transparente possível”. 

Ronaldo Veirano credita essa característica à influência e ao “privilégio” de ter trabalhado com Russell Baker, fundador do Baker McKenzie. “Ele era um homem de uma visão fora do comum e dizia que teve de abrir mão do poder para crescer”, recorda. “E é uma grande verdade. Nós tivemos que democratizar o poder para que as pessoas se sintam donas do escritório  e criar essa possibilidade de reter mais talentos”.

 

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