M&A de Empresas familiares

Autores: Ricardo Madrona sócio e Fernanda Lé Tassinari, associada sênior do Madrona Advogados

ATUALIZADO

Os negócios familiares são parte relevante da economia mundial, mas as operações de fusões e aquisições envolvendo empresas controladas por famílias trazem desafios únicos. Enquanto algumas famílias têm a expectativa de passar os negócios para as gerações vindouras, outras decidem, por diversas razões, vender seus negócios a terceiros. Os autores clássicos de direito societário e boa parte de seus discípulos costumam afirmar que companhias modernas, com administradores profissionais e separação entre propriedade e gestão, são mais competitivas e inovadoras do que as empresas familiares.

Sobram argumentos no sentido de que empresas familiares são ineficientes e pouco competitivas, de modo que esse arranjo empresarial não traria as características mais apreciadas pelo mercado no cenário atual de boas práticas de governança corporativa.

No entanto, apesar de todas as críticas acima apontadas, há evidências no sentido de que as empresas familiares desempenham significante papel não só em países emergentes, mas em economias mais desenvolvidas, tanto em termos de geração de empregos como ao contribuir diretamente para o crescimento dos países em que atuam.

São exemplos de empresas familiares, que comprovam as afirmações acima, o Walmart e a Ford nos Estados Unidos, a Volkswagen e a ArcelorMittal na Europa e o Itaú, a Gerdau e a Votorantim no Brasil. O cenário também se repete na Ásia, como, por exemplo, Tata, Samsung e Hyundai.

Ainda que a maior parte das empresas familiares não tenha o porte das companhias mencionadas acima, esses exemplos demonstram que a falta de separação entre propriedade e gestão e a participação de familiares de diversas gerações na condução dos negócios podem levar a operações bem-sucedidas.

Estas empresas têm despertado o interesse do mercado, sendo bastante comuns as operações de fusões e aquisições envolvendo sociedades familiares.

Motivos para a venda

Ainda que muitas empresas familiares prezem pela excelência na gestão, é comum que cenários de crise, de diversas naturezas, afetem com maior rigor as sociedades de porte menos robusto, como costumam ser as empresas familiares frente a seus concorrentes com outras estruturas de controle.

Nesses cenários de crise, incluem-se não apenas as questões macroeconômicas, que, muitas vezes, afetam todo um setor produtivo por igual, mas também questões peculiares que acometem especificamente as empresas familiares.

Dentre as particularidades que têm o condão de colocar em risco a continuidade dos negócios das empresas familiares, destacam-se:

  • os conflitos entre os sócios, ora bastante válidos, ora resultantes de drama, vaidade ou teimosia, agravados pelo fato de serem majorados por envolverem não apenas questões empresariais, mas também familiares e, portanto, emocionais; e

  • a perda de competitividade dessas empresas, seja por terem sido ultrapassadas por companhias mais modernas, como também por seus controladores não deterem a capacidade de investimento ou de gestão necessária para manter ou aumentar suas participações nos respectivos mercados de atuação.

A primeira questão, referente à existência de conflitos entre os sócios, merece atenção na medida que, em uma empresa familiar, tais conflitos são potencializados por questões afetivas, alheias ao dia a dia empresarial, comuns em relacionamentos de parentesco, mas que não ocorrem em outras companhias.

São também notáveis as desavenças entre as diversas gerações de familiares que trabalham na administração dos negócios, haja vista as diferenças naturalmente existentes entre ascendentes, descendentes e até parentes colaterais quanto a experiências de vida, visão de mundo e planos e metas para o futuro. Assim, é frequente a insegurança sobre como essas questões interferirão na condução da atividade empresarial a longo prazo.

Veja a seguir a Nota Prática M&A de Empresas familiares: como evitar e gerenciar conflitos.

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